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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Anote aí ...

Bolsa Família poderá beneficiar portadores de câncer,
Aids ou doença crônica

Por Denise Costa, da Agência Senado

Famílias pobres que tenham entre seus integrantes pessoa com câncer (neoplasia maligna), Aids ou qualquer outra doença crônica poderão ser incluídas entre as beneficiárias do Programa Bolsa Família. Uma unidade familiar poderá receber até três benefícios de R$ 60 cada.

É o que estabelece texto substitutivo apresentado pelo senador Flávio Arns (PSDB-PR) a projeto (PLS 407/2009) da senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) em exame pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). A proposição altera a lei que institui o Programa Bolsa Família (Lei 10.836/2009).

A proposta original da senadora altera a Lei Orgânica da Assistência Social (Lei 8.742 de 1993) para assegurar benefício, no valor de um salário mínimo, à mãe ou, na sua falta, ao pai ou responsável legal por criança ou adolescente em tratamento de câncer ou Aids.

De acordo com a proposta da senadora, esse auxílio-tratamento não gera pensão e cessa com a cura, a morte do paciente ou a maioridade. Para esse último caso, o projeto prevê uma exceção: quando exame médico-pericial, a cargo do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), constatar o agravamento da doença ou incapacidade para o trabalho ou para a vida independente.

A autora argumenta que esse grupo especial de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) é mais vulnerável às carências dos serviços públicos de saúde. Para ela, o tratamento dessas doenças não pode ser negligenciado por culpa de esgotamento de estoque de medicamentos e de outros produtos de que os pacientes necessitam ou porque um determinado produto ou procedimento terapêutico não faz parte das relações ou dos protocolos clínicos elaborados pelo Ministério da Saúde.

Segundo a senadora, os familiares desses pacientes são, muitas vezes, obrigados a adquirir, com recursos próprios, os medicamentos e outros produtos médico-hospitalares não fornecidos pelo SUS, o que compromete seriamente importante parcela do orçamento de famílias de baixa renda.

Já Flávio Arns disse ter apresentado o texto substitutivo, alterando o Bolsa Família, por entender que não se aplicaria apoio tão efetivo do Estado à família que tenha recursos próprios para suprir necessidades dessa natureza. Para esses casos, o senador considera que o melhor apoio seria não a transferência direta de recursos, mas a concessão de isenções fiscais o que, como observou, já existe, para essas doenças, na legislação que disciplina o imposto de renda.

Após exame da CDH, a matéria seguirá para votação da Comissão de Assuntos Sociais (CAS), onde receberá decisão terminativaÉ aquela tomada por uma comissão, com valor de uma decisão do Senado. Quando tramita terminativamente, o projeto não vai a Plenário: dependendo do tipo de matéria e do resultado da votação, ele é enviado diretamente à Câmara dos Deputados, encaminhado à sanção, promulgado ou arquivado. Ele somente será votado pelo Plenário do Senado se recurso com esse objetivo, assinado por pelo menos nove senadores, for apresentado à Mesa. Após a votação do parecer da comissão, o prazo para a interposição de recurso para a apreciação da matéria no Plenário do Senado é de cinco dias úteis.


(Envolverde/Agência Senado)

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Fique Por Dentro ...

PNUD divulgará índice de valores humanos

Por Redação PNUD Brasil

Indicador inédito será apresentado em Brasília na próxima terça, junto com terceiro caderno do Relatório de Desenvolvimento Humano Brasil.

O PNUD vai divulgar na próxima terça-feira (10) o terceiro caderno do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH) Brasil 2009/2010. A publicação trará sugestões de políticas públicas para promoção de valores humanos e divulgará um indicador inédito, o IVH (Índice de Valores Humanos).

O IVH terá as mesmas três dimensões do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano): saúde, conhecimento e padrão de vida. Assim como o indicador calculado e divulgado anualmente pelo PNUD, ele vai variar de 0 a 1 (quanto mais próximo de 1, maior). O cálculo é baseado em entrevistas feitas pelo Instituto Paulo Montenegro, ligado ao Ibope.

"O IDH foca resultados. O IVH desloca a atenção dos resultados para os processos", afirma Flávio Comim, economista do PNUD e organizador do relatório. "O novo índice retrata a vivência das pessoas e a opinião da sociedade sobre essas vivências."

O caderno será apresentado em Brasília, e faz parte de uma série de publicações ligadas ao RDH Brasil 2009/2010. Na primeira etapa da elaboração do relatório, foram coletadas respostas de 500 mil pessoas, durante a campanha Brasil Ponto a Ponto. Todas responderam à questão “O que deve mudar no Brasil para sua vida melhorar de verdade?”.

A partir das respostas, ficou definido que o assunto seriam “valores”. Já em uma segunda etapa, o PNUD encomendou uma pesquisa ao Ibope para averiguar quais eram, na avaliação dos brasileiros, os valores mais importantes.


(Envolverde/PNUD Brasil)

falando de consumo ...


“O mundo precisa de novo contrato social”

Por Clarinha Glock, da IPS

Barcelona, Espanha, 4/8/2010 – “Temos que começar a pensar em um novo contrato social em escala planetária, e também dentro de cada país”, afirmou em entrevista à IPS o ganhador do prêmio Nobel da Paz 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel. Aos 78 anos, Esquivel se mantém muito ativo em defesa dos direitos humanos e da educação para a paz.

Atualmente, é um dos promotores da criação do Tribunal Penal Internacional para o Meio Ambiente, sob o princípio de que os desastres ecológicos são um crime contra a humanidade. Para isso é preciso modificar o Estatuto de Roma, que em 1998 deu vida ao Tribunal Penal Internacional, em vigor desde 2002.

Em uma de suas frequentes viagens a Barcelona, Esquivel conversou com a IPS sobre a situação da América Latina e os avanços para uma cultura de paz no mundo.

IPS: Desde o fim das ditaduras militares na América Latina, como a região evoluiu?

Adolfo Pérez Esquivel: Depois das ditaduras impostas pela política dos Estados Unidos, houve fatos importantes que fazem com que a América Latina mude para democracias condicionadas ou restritas. É um processo rápido, vinculado à Guerra das Malvinas (1982, entre Argentina e Grã-Bretanha). Antes, o confronto era Leste-Oeste, entre Estados Unidos e a antiga União Soviética. Com a Guerra das Malvinas, o problema passa a ser Norte-Sul. Logo, Washington se dá conta de que é preciso promover democracias. Mas a política neoliberal, as privatizações, a apropriação dos recursos naturais e não naturais continua.

IPS: A América Latina continua sendo importante para Washington?

APE: Apesar de precisar se concentrar nas guerras do Afeganistão e Iraque, os Estados Unidos nunca deixaram de estar atentos à América Latina. Quando algum país se desvia dessa hegemonia, começa a ter conflitos, como os que ocorrem na Venezuela, Bolívia, Equador ou Argentina. Quando o deposto presidente Manuel Zelaya, de Honduras, começou a ter outra visão da situação de seu país, sofreu um golpe de Estado legalizado pelo parlamento e pelo Poder Judicial. É uma experiência-piloto para aplicar em outros países, no Paraguai, por exemplo, que passa por algo semelhante.

IPS: Então, existe um reposicionamento dos Estados Unidos com a região?

APE: Estão criando uma “pinça” militar no continente, com o Plano Puebla-Panamá, para a América Central e o Caribe, o Plano Colômbia, com sete bases militares sob o pretexto de combater o narcotráfico e o terrorismo, a Tríplice Fronteira (Argentina, Brasil, Paraguai) e, nas Ilhas Malvinas, uma base militar com a Grã-Bretanha. Além disso, empresas multinacionais buscam na região os recursos que faltam nos países centrais. Apesar de tudo, surgem forças sociais, culturas e políticas fortes. O governo da Bolívia, por exemplo, está recuperando as empresas nacionais e os recursos naturais que estavam privatizados. São passos importantes, como converter-se em um Estado plurinacional, com reconhecimento dos povos indígenas, ou medidas para superar o analfabetismo e os problemas de saúde. Como ocorre na Venezuela.

IPS: Mas há críticas a esses governos. Qual é a sua percepção?

APE: Não existem democracias perfeitas. O que existe são democracias que podem ser perfeitas, podem melhorar. Por exemplo, a Venezuela é uma democracia diferente da, aparente, existente na Colômbia, onde existe repressão, controle de grupos paramilitares, intervenção das Forças Armadas, quatro milhões de refugiados internos e cinco milhões de exilados. Os colombianos votam, mas o que garante uma democracia não é o voto, é a participação do povo. Com todas as dificuldades e erros, países da América Latina deram passos qualitativos na construção de democracias participativas. São espaços a serem construídos.

IPS: Com o presidente Barack Obama as coisas mudaram?

APE: Não. Obama chegou ao governo, mas não ao poder. Ele se comprometeu a acabar com a guerra do Iraque e a intensificou, e também com a do Afeganistão. Não conta com condições de governabilidade como os presidentes da Bolívia, Venezuela e Equador. Seus governos estão unidos pelo Mercosul, Unasul ou Banco do Sul. É a única forma de enfrentar os grandes poderes internacionais.

IPS: Essa união pode impedir o golpe de Estado, que mencionou, no Paraguai?

APE: Claro. A presidente da Argentina, Cristina Fernández, fez algo interessante. No dia 25 de maio, festa da pátria e do bicentenário, recebeu Manuel Zelaya com honras de presidente em exercício. Isto incomoda os Estados Unidos, que perdem sua hegemonia. A América Latina tem de fortalecer sua unidade, porque possui grandes recursos naturais, e a próxima guerra será por água, recursos energéticos e alimentos. A única maneira de se fortalecer são as alianças econômicas, culturais e políticas.

IPS: O senhor citou forças sociais latino-americanas emergentes. Quais são?

APE: Uma é o movimento de mulheres. A mulher é protagonista em toda a região, dos povos indígenas às esferas científicas, tecnológicas e do pensamento. Outro movimento importante é o dos indígenas, que começaram a recuperar sua identidade, sua cultura, sua espiritualidade e a se organizar. E a terceira são os movimentos sociais, que estão gerando uma nova forma de fazer política e construindo uma democracia participativa. Isto leva a algo no qual venho insistindo: temos de começar a pensar em um novo contrato social em escala planetária, e também dentro de cada país. Quando a Real Academia Espanhola realizou um encontro da língua, nós fizemos um Congresso das Línguas, porque não somos um país monolinguista e temos de respeitar essa diversidade. Quando falo de um novo contrato social também me refiro a isto, porque a dominação não começa pelo campo econômico, mas pelo cultural.

IPS: Há avanços na campanha para criar o Tribunal Penal internacional para o Meio Ambiente?

APE: Entre as coisas que faço, presido a Academia das Ciências do Meio Ambiente de Veneza, integrada por 120 cientistas, onde trabalhamos os grandes problemas ambientais. Nos direitos humanos se vê os danos às pessoas, mas não aos povos. Em 1976, a Liga Internacional pelos Direitos e pela Liberdade dos Povos proclamou a Declaração Universal dos Direitos dos Povos. E creio que é preciso trabalhar no dano aos povos indígenas, a populações inteiras, pela contaminação da água e do meio ambiente. Em 2001, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) divulgou um informe dizendo que a cada dia morrem no mundo mais de 35 mil crianças vítimas da fome. Eu chamo isso de terrorismo econômico. Estamos propondo uma reforma do Estatuto de Roma. Ao mesmo tempo, é necessário lançar uma campanha internacional para que os povos pressionem. A pressão para que os governos façam mudanças deve partir da base. Envolverde/IPS


Crédito:
Clarinha Glock/IPS
Legenda: Adolfo Pérez Esquievel, prêmio Nobel da Paz 1980.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Fique Por Dentro ...

Hospital Rocha Maia volta a ter pronto-atendimento 24h

RIO - O pronto-atendimento do Hospital Rocha Maia, em Botafogo, que vinha funcionando em horário limitado e fechava os portões às 18h, voltará a ter pronto-atendimento 24h a partir desta terça-feira. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira pela subsecretária municipal de saúde, Ana Schneider, na reunião extraordinária do Conselho Distrital de Saúde. Também foi informado que a emergência do hospital, fechada para reforma há um mês, será reaberta gradualmente.

- Estamos muito felizes com a decisão. Mostra que a prefeitura foi sensível à reivindicação dos moradores - diz Abílio Tozini, presidente da associação de moradores da Rua Lauro Müller, que vinha convocando pacientes do hospital para pedir a reabertura da emergência.

A Secretaria municipal de Saúde informou que o pronto-atendimento tem absorvido as demandas da emergência e que a decisão tem como objetivo diminuir o impacto do fechamento da unidade na região.

domingo, 25 de julho de 2010

continuando ...

Aparelhos que mais gastam energia elétrica


aparelho mais gastam energia eletrica

Quem é que não quer diminuir o consumo de energia elétrica e economizar dinheiro na conta do final do mês? Pois é, antes de começar a desligar tudo, devemos saber quais são os aparelhos que mais consomem energia elétrica e moderar a utilização dos mesmos, pois como veremos, alguns itens são altamente indispensáveis.

Para começar, você deve saber qual a porcentagem que o consumo de cada aparelho tem na conta final: O chuveiro elétrico representa 30% do valor total da conta, a geladeira e freezer representam 30% e se os eletrodomésticos tiverem idade acima de 10 anos, o percentual dobrará, o ferro de passar roupa possui representação de 5%, o computador também contribui com 5%, a televisão e as lâmpadas comuns contribuem com 10% do sob o valor total da conta. Além desses, também são responsáveis pelo maior consumo de energia, o ar condicionado, aspirador de pó, secador de cabelo, aquecedores e estufas.

Como pudemos notar, os aparelhos que mais gastam energia são o chuveiro elétrico e a geladeira, em residências que há muitos eletrodomésticos antigos, a conta certamente deverá vir em um valor absurdamente alto. Diante dessa constatação, algumas medidas para reduzir o consumo podem e devem ser seguidas para diminuir os gastos e contribuir com a utilização consciente dos recursos naturais.

Utilizar a luz natural o máximo possível, abrindo as janelas, cortinas e deixando a energia solar entrar e aquecer o local por mais tempo é uma das dicas mais importantes para economizar energia. Outras recomendações são acumular roupas e passar ferro de uma só vez, moderar o tempo do banho, especialmente o tempo que passa com o chuveiro ligado, diminuir a quantidade de televisores ligados no mesmo instante, utilizar as máquinas de lavar e secar em sua capacidade máxima correta e, é claro, realizar uma manutenção regular da rede elétrica da sua casa. Fique atento, aproveite as dicas e aprenda a diminuir o consumo de energia da sua casa.


Fique Por Dentro ...

Microondas faz mal a saúde


microondas saude

Apesar de trazer mais praticidade e agilidade para o nosso dia a dia, o aparelho de microondas pode diminuir a quantidade de nutrientes presentes nos alimentos. Além disso, se não forem tomados os devidos cuidados, problemas como vazamento e até explosões podem acontecer. Mas, ainda assim, nenhuma pesquisa contra indica a utilização do microondas de forma moderada, pois em excesso alguns danos à saúde podem ser identificados.

As ondas liberadas no aparelho de microondas são do tipo eletromagnéticas e ficam concentradas no forno quando ele está funcionando e, com as portas fechadas, o aquecimento promove uma agitação das moléculas presentes no alimento, realizando seu cozimento de modo mais rápido.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os alimentos preparados em fornos de microondas não causam nenhum mal à saúde. Entretanto, quando o alimento é esquentado várias vezes, acaba perdendo uma parte significativa dos seus nutrientes, com a utilização do microondas esse efeito é potencializado.

Além disso, alguns materiais não podem ser levados ao microondas, como é o caso de recipientes de alumínio ou aço, pois podem refletir as ondas e causar explosões. Os mais indicados são: plásticos rígidos, refratários e outros recipientes de vidro ou porcelana.

Devido a recomendações expressas do Inmetro, os recipientes devem informar na embalagem se podem ou não ser levado ao forno microondas. A dica é nunca utilizar embalagens plásticas de margarina, queijo, iogurte, pois como elas são derivados de petróleo não resistem à elevada temperatura do alimento, derretendo ou exalando odores e substancias tóxicas com o aquecimento.

Outra orientação é cozinhar os alimentos no fogão e esquentar, se for preciso, no máximo uma vez no microondas. Assim, você evitará a perda total dos nutrientes contidos na refeição, ao mesmo tempo em que aproveita as vantagens do forno microondas, de forma moderada, que não é prejudicial a saúde.


segunda-feira, 19 de julho de 2010

CoMpARtilhE ...

UnB dá voz a sabedoria tradiconal

UnB Agência
GRADUAÇÃO - 12/07/2010

Xamãs, artesãos e mestres da cultura popular serão professores da UnB
Universidade será a primeira no Brasil a ter uma disciplina baseada nos saberes tradicionais. Aulas devem começar no próximo semestre
Ana Lúcia Moura - Da Secretaria de Comunicação da UnB



Benki Pianko é um grande especialista brasileiro em reflorestamento.
Maniwa Kamayurá conhece em detalhes as técnicas de construção indígena. Lucely Pio é capaz de identificar com precisão qualquer planta do cerrado.
Mas o conhecimento de nenhum deles veio das salas de aula. Eles aprenderam o ofício com os avós e com os pais e o repassam aos filhos, aos netos.
No próximo semestre, porém, vão ensinar o que aprenderam também aos alunos da Universidade de Brasília.

Benki, Maniwa e Lucely serão professores de uma disciplina de módulo livre: Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais. Benki, que é mestre do povo indígena Ashaninka, no Acre, Maniwa, pajé e representante dos povos indígenas do Alto Xingu e Lucely, mestre raizeira da Comunidade Quilombola do Cedro, em Goiás, vão passar adiante o conhecimento acumulado durante mais de séculos nas comunidades onde cresceram e vivem até hoje. Benki e Maniwa são xamãs indígenas, líderes espirituais com funções e poderes ritualísticos. Lucely é mestre quilombola.
Além deles, serão também professores da nova disciplina Zé Jerome, mestre de Congado e Folia de Reis do Vale do Paraíba, em São Paulo, e Biu Alexandre, mestre do Cavalo Marinho Estrela de Ouro de Condado, um dos tradicionais grupos folclóricos da Zona da Mata pernambucana, que reúne teatro, dança, música e poesia.
A criação da disciplina, que deve ter carga semanal de seis horas, depende ainda de aprovação do Decanato de Ensino de Graduação. Ela faz parte de um projeto de introdução dos saberes tradicionais na universidade. “Queremos promover um diálogo, uma troca de conhecimentos", explica o professor José Jorge de Carvalho, coordenador do projeto e também do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Inclusão no Ensino Superior e na Pesquisa. "Os mestres que aqui estarão têm um modo de construir saberes que leva em conta não só o pensar, que é característico da cultura das universidades, mas também o fazer e o sentir”, completa o professor.
AVANÇO - O professor José Jorge destaca, no entanto, que a introdução dos saberes tradicionais não é uma negação da forma utilizada pelas universidades de produzir e transmitir conhecimento. “Pelo contrário. É uma soma. Sabemos coisas que os mestres tradicionais não sabem, assim como eles conhecem muito do que não conhecemos. A universidade pode ser muito mais rica do que é”, acrescenta. Cada mestre passará duas semanas na UnB e será acompanhado por um professor na sala de aula. “A universidade pode ser mais rica do que é. E, para isso, precisa fazer jus à riqueza de saberes que existem no Brasil”, completa o professor José Jorge.
O chefe do Departamento de Antropologia, Luís Roberto Cardoso de Oliveira, lembra que a criação de disciplinas de módulo livre, que permitem aos alunos contato com um conhecimento totalmente fora de sua área, foi um avanço. "E colocar os mestres frente a frente com os alunos e ao lado dos professores é uma proposta que vai ainda mais além", comenta.
Para Nina de Paula Laranjeira, diretora de Acompanhamento e Integração Acadêmica do Decanato de Ensino de Graduação, a iniciativa por si só já demostra uma mudança nos modos de pensar. "Precisamos superar o paradigma de que o conhecimento está limitado à comprovação científica", afirma.
TROCA DE SABERES - As bases pedagógicas e antropológicas da nova disciplina serão discutidas nos dias 15 e 16 de julho, como parte do seminário internacional que vai tratar da introdução de novos saberes nas universidades. “O método de transmissão dos mestres tradicionais é completamente diferente do nosso. O ideal para a raizeira Lucily, por exemplo, é ensinar caminhando pelo cerrado”, explica o professor José Jorge.
Organizado pelos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia e Ministério da Cultura, o Encontro de Saberes vai reunir mestres indígenas e de atividades folclóricas, professores brasileiros e latino americanos, além de representantes do Governo Federal. No encontro, serão apresentadas experiências de universidades de cinco países da América Latina que desenvolvem projetos de inclusão de saberes tradicionais em seus cursos, disciplinas e programas de extensão. O seminário, que acontece no Auditório Dois Candangos, também será uma oportunidade para os novos professores conhecerem melhor a UnB.
Entre os palestrantes estão o reitor da Universidade Amawtay Wasi do Equador; Maria Mercedes Díaz, da Universidade de Catamarca na Argentina; Jaime Arocha, professor de Antropologia da Universidade Nacional da Colômbia; Carlos Callisaya, coordenador das Universidades Indígenas da Bolívia no Ministério da Educação boliviano e Maria Luísa Duarte Medina, que atua em projetos de inclusão dos saberes indígenas nas instituições de ensino superior do Paraguai. “A presença de cada um deles mostra que a inclusão dos saberes tradicionais na academia é um movimento cada vez mais forte”, afirma o professor José Jorge.